O primeiro grande momento de felicidade quando se está fazendo uma monografia é quando nós “enxergamos” ela. Quando já temos tema e objetivos bem definidos partimos para estruturação da monografia. Criar capítulos e subcapítulos é o momento em que podemos visualizá-la de um modo mais direto, nos tira aquela sensação de estar perdido num emaranhado de textos.
Mas se ganhamos a tranqüilidade de estar com o controle do nosso trabalho, vemos como é difícil fazer o que parecia simples, escrever. O orientador deu o prazo, 15 dias para entregar o primeiro capítulo, dos quais 8 foram implorados, pois seriam apenas 7. Não há um espírito que incorpora e nós saímos digitando da primeira a última frase do capítulo. É uma costura de frases soltas, com citações e um pouco do que já constava no projeto de monografia. E depois várias leituras e dezenas de mudanças em cada uma. Essa foi a grande lição que aprendi nos últimos dias.

Por fim, compartilho com os leitores um trecho do livro “Aconteceu na Manchete: as histórias que ninguém contou”, onde J. A. Barros, que trabalhou como paginador na revista O Cruzeiro, conta como era o trabalho na lendária redação da revista. Soa estranho ouvir tesoura e cola para quem é da geração InDesign.
O processo de paginar, em O Cruzeiro, consistia no seguinte: Milton d’Ávila, com as fotos preto-e-branco da reportagem já escolhidas e ampliadas, espalhava-as em cima de uma mesa, onde eram selecionadas. A mais bonita, ou aquela que sintetizasse melhor o espírito da reportagem era a escolhida para abrir a matéria. Os layouts, dependendo do número de páginas, oito, dez, ou doze, eram riscados com lápis pastel em traços fortes pelo paginador, obedecendo a um roteiro fotográfico que procurava visualmente dizer o que era a reportagem.
As páginas esboçadas eram distribuídas aos auxiliares de paginação. Esses, com régua e lápis, copiavam o seu desenho milimetricamente em outros layouts, marcando a proporção das ampliações ou reduções dos tamanhos das fotos que seguiam para o laboratório fotográfico. Procedia-se, então a montagem e a colagem daquelas fotos nas páginas desenhadas. Esse trabalho consumia algumas horas e, pela quantidade de reportagens, não raro esse processo se estendia até o dia seguinte. As ferramentas usadas eram tesoura e cola.
Com isso, tinha-se uma visão de como ficaria a reportagem antes de ser impressa, o que permitia, muitas vezes, modificações e trocas de determinadas fotos que expressassem melhor o sentido da matéria. Mais tarde, o sistema se aprimorou, ao abolir colagem de fotos e passando a usar o método de projeção de slides, processo já usado pela revista Manchete. Com isso, ganhava-se velocidade e ao mesmo tempo diminuía-se o número de auxiliares de paginação (p. 301).