Me fui pro Chile

26/08/2009 por Gelson Pereira

Me_fui_pro_Chile

Me fui pro Chile é o projeto experimental do colega de faculdade e de Gazeta do Sul, Guilherme Mazui. O livro narra as aventuras dele e de sua namorada pela América do Sul no início desse ano. Há algum tempo atrás ele me convidou para desenvolver um projeto gráfico para o livro, um desafio para mim que nunca havia trabalhado com esse tipo de publicação. Algumas conversas depois chegamos ao resultado acima.

A utilização de boxes complementares aos textos e publicidade nas páginas é uma das características marcantes. De resto procurei não inventar muito. Preocupação principal com a legibilidade do texto, trabalhando bem o espaçamento entrelinhas.

Se tudo der certo ele deixará de ser um projeto em breve e se tornará uma realidade, segundo as pretensões do autor. Antecipadamente eu já recomendo a leitura, o texto é leve e muito bem escrito.

Exercícios

13/08/2009 por Gelson Pereira

Arts

Nas últimas semanas, em que não foi preciso mais conciliar faculdade e trabalho, me restaram algumas horas a mais no dia. Além de resolver problemas pessoais, que haviam ficado de lado no período da monografia, aproveitei o tempo livre para exercitar um pouco 0 cérebro. Com a tríade Photoshop, Illustrator e InDesign nas mãos, me pus a fazer alguns rabiscos (imagem acima), como forma de exercício de domínio das ferramentas e de aplicação dos conceitos de design.

Bem, algumas conclusões surgiram. A primeira delas é que eu não consigo dominar o Illustrator e que preciso, urgentemente, conhecer melhor essa ferramenta. Para esse trabalho, resolvi fazer os desenhos utilizando o programa, já que se tratavam de ilustrações vetoriais. Já utilizava ele, porém raramente, apenas para pequenas edições de vetores. Depois de me perder diversas vezes em ações que estava acostumado a fazer com facilidade no InDesign, resolvi trocar de programa. Aí sim, o trabalho fluiu mais rapidamente. Então, quem tiver um bom tutorial de ilustrator, por favor me encaminhe.

O segundo ponto a destacar é que, pela primeira vez, utilizei o recurso de camadas do InDesign, imprescindível para esse tipo de trabalho. Até então acostumado a trabalhar com páginas de veículos impressos, onde a função não é tão necessária, pude dominar melhor essa funcionalidade.

O trabalho foi feito utilizando cores e formas básicas. Utilizei o Photoshop pra tratar algumas imagens, como algumas silhuetas que aparecem, o Illustrator basicamente para vetorizar essas imagens tratadas e o InDesign para montar tudo.

Dupla conquista

11/08/2009 por Gelson Pereira

Q-1.indd

A semana que passou marcou por duas conquistas pessoais. A primeira ocorreu na quarta-feira, com a circulação da 169ª edição do caderno Q?, do jornal Gazeta do Sul. Foi a 50ª edição sobre a minha batuta gráfica. Há um ano que produzo o suplemento jovem semanal de forma freelancer para o jornal. A capa da edição 50 é essa aí em cima, coincidentemente com a minha grande amiga Daiane Balardin como fonte da matéria. A baixo todas as 50 capas.

Capas_Q

Mais do que a contribuição financeira na renda do final do mês, esses 12 meses me permitiram conviver numa redação jornalística, ao menos uma vez por semana, e fazer parte do processo, experiência fundamental pra quem está saindo da faculdade e caindo no mercado. Produzir o Q? não é fácil. Falar para uma juventude que vive em constante metamorfose é complicado, tanto textual como graficamente. Os questionamentos surgem a todos os momentos e os detalhes são imprescindíveis. Aos colegas e editores do suplemento, Guilherme Mazui e Jansle Appel Júnior, bem como a todo o pessoal da redação da Gazeta o meu agradecimento pela oportunidade e pela parceria nesse 1 ano.

A segunda conquista demorou 4 anos e meio para ser alcançada. Na noite de sábado, dia 8, aconteceu a solenidade de formatura do Curso de Comunicação da UNISC e eu estava entre os formandos, recebendo o diploma de jornalista. Diploma desvalorizado legalmente pelo STF há pouco tempo atrás, mas nem por isso menos importante. Contive as lágrimas, mesmo com o discurso emocionante da colega Rose Bianca. Foi mais uma fase vencida, mas outros desafios já surgem logo adiante. Obrigado aos professores e colegas-irmãos pela companhia.

Caderno USE – Edição 4

22/07/2009 por Gelson Pereira

use_04

No último sábado, dia 18 de julho, circulou a 4ª edição do caderno USE, da Gezeta do Sul. Com a saída da Carol, a colega Melissa Bulegon assumiu a editoria. Eu continuo na diagramação. Abaixo os links para o PDF:

Capa

Pg1

Pg2

Pg3

Pg4-5

Pg6

Pg7

Pg8

Zero Hora e o seu novo projeto gráfico

17/07/2009 por Gelson Pereira

zero_hora

A mais nova mudança no projeto gráfico da Zero Hora ocorreu no reta final da minha faculdade, então só posso comentá-lo agora. Em linhas gerais eu gostei. Fontes boas, o trabalho com brancos que já havia sendo feito desde 2005 continua e o tom de azul é bem harmonioso. Chama atenção, somente, o fato das cartolas estarem em fontes maiores do que os títulos, se é que o que eu vejo como cartola são realmentes cartolas.

O grande problema, na minha opinião, é justamente na parte mais importante do jornal, o logo, que ficou escondido ao lado daqueles teasers e a cor daquela faixa, que muda todo dia e, com exceção desse azul aí acima, é sempre horrível. Aquele amarelo no caderno de esportes também é bem estranho. Mas ZH é ZH, eles devem saber o que estão fazendo.

Jornal Tô Limpo

17/07/2009 por Gelson Pereira

To_Limpo

Baixe Aqui em PDF

Esse é um trabalho antigo, foi produzido em maio ainda, mas vale a pena lembrá-lo. Os colegas Rozana Ellwanger e Sancler Ebert desenvolveram um projeto experimental com adolescentes ex-dependentes químicos na cidade de Venâncio Aires. Entre as atividades do projeto estiveram oficinas de fotografia e redação. As matérias prodizidas pelos jovens foram reunidas num jornal, o “Tô Limpo“, pelo qual eu fui responsável pelo projeto gráfico.

O mais legal dessa iniciativa é que o projeto virou um documentário produzido pelos dois, Rozana e Sancler. O projeto ganhou destaque estadual inclusive, com reportagens no jornal Zero Hora.

Mary Inventa Moda

17/07/2009 por Gelson Pereira

Mary_Inventa_Moda

Pra marcar a volta comoço com a dica de um blog novo, e blog muito bom. É o “Mary Inventa Moda“, da Mariana Pellegrini, aluna da Unisc, parceira de alguns trabalhos e rio-pardense como eu. É uma baita de uma ilustradora, tanto em traço, como em vetor. Vale a pena conferir.

Novos tempos

17/07/2009 por Gelson Pereira

Mais de um mês depois dou as caras aqui pelo blog novamente. A ausência tem motivo, e um bom motivo. Junho foi o mês derradeiro da minha monografia e do final da faculdade como um todo. O mês de reclusão valeu a pena, pois consegui terminar o trabalho de conclusão, bem como um projeto experimental, também para a faculdade. O resultado foi duas notas 10.

O título da monografia é imenso, “A utilização de recursos gráfico-editoriais de revistas por jornais impressos diários: o caso da cobertura das Olimpíadas de Pequim pelo jornal Zero Hora”, mas, como coloco nas considerações finais, acho que foi um importante passo para uma discussão de nível acadêmico sobre as transformações do jornalismo das últimas décadas, principalmente no que toca ao planejamento visual dos veículos impressos. O tema é novo, complexo, mas fascinante. Dar sequência em um mestrado na área é uma possibilidade com a qual começo a me relacionar.

Nova edição do caderno USE

25/05/2009 por Gelson Pereira

Use_01

Circulou no último sábado a segunda edição do caderno USE, do jornal Gazeta do Sul. O projeto gráfico e diagramação é minha, os textos e a produção da colega Caroline Scortegagna. Com quatro páginas dessa vez, ficou mais difícil o trabalho, ainda mais com anúncios de meia página. A proposta de limpeza do caderno foi pro espaço, mas são esses mesmos anúncios que garantem a renda. Então temos que nos conformar.

Aqui vão os links para o cadernos em PDF.
Página 1
Página 2
Página 3

Unicom – Feira do Livro 2009

18/05/2009 por Gelson Pereira

Unicom_Feira_01 - Capa

A feira do livro em Santa Cruz do Sul só começa a partir do dia 30 de maio. Enquanto isso, já circula uma edição especial do Unicom sobre o evento que chega a 22ª edição em 2009. O jornal foi produzido pelos alunos do Curso de Comunicação da Unisc e eu fui um deles, na diagramação como sempre. A capa você pode ver acima e também pode baixar o PDF aqui.

Os créditos: Letícia Mendes (editora), Gelson Pereira (capa e diagramação), Daiane Balardin (produção), Márcia Melz (fotografia e reportagem), Francine Rabuske (reportagem), Heloísa Poll (reportagem), Letícia Mendes (reportagem), Marisa Lorenzoni (reportagem) e Sancler Ebert (reportagem).

Everson Barbosa – Design

13/05/2009 por Gelson Pereira

divulgacaoeversondesign

Um pequeno jabá pra um amigo. O portfólio do cara tá aqui.

Parceria Q?/Unisc

13/05/2009 por Gelson Pereira

Q-1.indd

Em tempos de monografia o tempo já é curto para escrever em um blog. Quando se juntam a ela vários trabalhos paralelos e até uma proposta de troca de emprego,  tempo e capacidade de concentração ficam menores ainda.

Um desses trabalhos paralelos à monografia foi a 3ª edição da parceria do caderno Q?, da Gazeta do Sul, com o Curso de Comunicação Social da Unisc. Participei da primeira edição como um dos alunos selecionados por parte da Unisc e acabei sendo contratado como freelancer para fazer a diagramação do caderno semanal.

Dessa vez foram 8 páginas, totalmente planejadas e criadas pelos alunos, sob a coordenação da equipe do Q?, que, além de mim, é formada pelo Jansle Appel Júnior, Guilherme Mazui e pela Caroline Scortegagna. O resultado foi às bancas na quarta passada.

Pra conferir o PDF é só clicar na página:

Pg1Pg2Pg3Pg4_5Pg6Pg7Pg8

Quem participou:

Amanda Mendonça (fotografia, ilustração e diagramação), Ana Cláudia Schuh (reportagem), Ana Luiz Rabuske (reportagem), Daniele Rubim (reportagem) Heloísa Pool (reportagem), Lívia Luz (reportagem), Luana Backes (reportagem) e Lucas Adolfo Baumhardt (reportagem).

Jornal-mural Diz Aí

16/04/2009 por Gelson Pereira

Diz_Ai_01.indd

Começou a circular esta semana pelas pardes da UNISC a primeira edição do jornal-mural Diz Aí. O projeto é das colegas Daiane Balardim e Letícia Mendes, com fotografias de Márcia Melz. O projeto gráfico e a diagramação coube a mim, como parte da disciplina de Estágio Supervisionado. Foi a primeira vez que trabalhei com esse tipo de mídia. O conceito difere um pouco do convencional, pois o leitor não ficará mais do que 5 minutos diante da parde, a ainda por cima de pé.

Com textos curtos e dividido em pequenas seções com uma matéria principal, a opção foi por cores fortes, vermelho e laranja no caso, para vencer a disputa pelos olhos dos leitores numa parede já poluída por outros cartazes e avisos. A fonte usada foi Myriad 14 pt para os textos. Legível e de um tamanho suficiente para ser lido a uma distância de 1 metro a 1 metro e meio. O alinhamento à esquerda dos blocos de texto também foi importante para tirar a idéia de colunagem, característica de jornais e revistas.

Há também um blog do Diz Aí, onde eu também contribui para a criação do layout e da estruturação do site, uma das minhas primeiras aventuras no mundo dos códigos html e ccs.

Problemas de compatibilidade com o InDesign

13/04/2009 por Gelson Pereira

Analisando as estatísticas do blog notei que muitos chegam até ele procurando no Google por maneiras de abrir documentos produzidos no InDesign CS4 na versão CS3. Pois bem, vamos então a uma resposta definitiva a essa questão.

Um dos únicos defeitos na minha opinião, e não tão pequeno assim, do InDesign é a sua incompatibilidade entre versões. Diferentemente dos outros programas da Adobe, como Illustrator e Photoshop, onde você pode optar por salvar os arquivos de um modo que abra nas versões anteriores, o InDesign não possui algo tão simples.

A única solução para resolver o problema é usar o comando Exportar e no formato do arquivo escolher a opção InDesign Interchange, onde será criado um arquivo com a extensão inx. Se os problemas fossem resolvidos apenas com esse passo seria simples, o problema é que esse documento só abrirá em uma versão anterior. Por exemplo, se você fizer isso no CS4 o documento só abrirá no CS3, se você fizer no CS3 ele só abrirá no CS2, e assim por diante até o CS, nas versões anteriores eu não cheguei a testar.

Agora imagina se você precisa levar um arquivo para um computador onde só há o InDesig CS e você produziu o documento no CS4. Daí você teria que ter as versões CS, CS2, CS3 e CS4, e ir convertendo de um para outro até chegar na versão que você deseja.

Outro problema que ocorre nesse meio é quando você exporta em inx do CS3 para abrir no CS2, pelo menos sempre acontece comigo. Na hora de abrir na versão CS2 aparecem fios de 1pt nas bordas das imagens e alguns vetores que só podem ser retirados manualmente um a um.

A maneira mais fácil de resolver o problema seria instalar os plugins para abrir as versões mais recentes. O problema nesse caso é encontrar esses plugins. Para o CS3 eu nem cheguei a procurar, mas para o CS e CS2 eu não consegui encontrar, nem no site da Adobe, que possui uma estrutura muito confusa por sinal. E mesmo que consiga esses plugins, é preciso ser administrador do computador para instalá-los, o que nem sempre ocorre ou gera muito transtorno quando se está tentando utilizar o programa na faculdade (meu caso) ou em alguma empresa, por exemplo.

Um pouco de ousadia

06/04/2009 por Gelson Pereira

Caderno_Moda_Gazeta_1.indd R.indd

A página acima é do novo caderno de moda do jornal Gazeta do Sul que foi veiculado na edição deste final de semana. Projeto gráfico e diagramação são de minha autoria, produção e reportagem da colega Caroline Scortegagna. A proposta era voltar a fazer um caderno de moda no jornal. Por sugestão da Carol, o nome e a proposta foi modificada. O que se chamava “Vestir” até então, se transformou em “Use”, um nome mais abrangente, com um conceito mais amplo.

A idéia era fazer um caderno mais moderno, apontando tendências dos mais diversos pontos de vista e estilos da moda. Para criar isso visualmente, procurei ousar, quebrar um pouco as barreiras do design trivial do jornal impresso. O primeiro e grande passo foi investir nos brancos da página. A capa é um exemplo disso, causou um choque visual no meio de páginas e mais páginas carregadas de textos e fotos.

A qualidade final do produto eu prefiro não comentar, pois não gosto de opinar sobre meus próprios trabalhos. Apenas acho que conseguimos pelo menos um dos objetivos, ousar. Obrigado a Carol e à redação da Gazeta que apostou nesse trabalho.

Pra ver o caderno completo segue os links:
Pg1
Pg2
Pg3
Pg4 e 5
Pg6
Pg7
Pg8

Dias de diagramador

18/03/2009 por Gelson Pereira

??

A princípio a página acima não tem nada de extraordinário, apenas mais uma página de um jornal impresso de uma cidade do interior. Porém, pessoalmente ela tem uma importância grande para mim. É acroncretização de uma oportunidade que estou tendo durante essa semana.

Há algum tempo já faço uns trabalhos freelacer para o jornal Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul-RS. Na terça-feira um dos diagramadores foi pai e recebeu um licença de alguns dias. Como já havia outro diagramador de férias, o jornal me convidou para cobrir esses dias de licença.

Estou tendo, então, a oportunidade de conhecer o processo de trabalho na montagem das páginas de um jornal impresso diário, pois até então meus trabalhos eram com prazos mais largos. Se a princípio o trabalho parece fácil, pois o projeto gráfico já está todo definido, na realidade não é tão barbada assim. É preciso muita sensibilidade e contorcionismo para encontrar o melhor jeito de colocar as matérias nas páginas.

Diálogo constante com o editor também é fundamental. Não há como separar e mecanizar os dois processos. Textos sobram e textos faltam. Aumentar o box? Tirar uma foto? Cortar o texto da matéria? Essas questões aparecem a todo o momento e é preciso muita sintonia.

Pena que a aventura é curta. Semana que vem volto a rotina normal, mas apenas com esses dois dias de trabalho já deu pra gostar do processo, mesmo com os olhos vermelhos de sono, pois, afinal, diagramador só sai da redação depois do repórter.

A reforma no Jornal do Brasil

16/03/2009 por Gelson Pereira

Muitos já devem ter ouvido falar na famosa reforma gráfica do Jornal do Brasil entre os anos 50 e 60. Ela é capítulo fundamental na história do jornalismo brasileiro. Na verdade a reforma foi muito mais do que gráfica, uma redação com infra-estrutura e mão-de-obra ultrapassada foi completamente transformada.

Graficamente o grande idealizador foi Amílcar de Cstro, um artista plástico que se tornou designer de páginas de jornais e revistas. O Jornal do Brasil saiu de uma primeira página  repleta de classificados (isso mesmo, classificados na primeira página) para uma capa limpa, com fotografias e sem fios ou vinhetas, com o famoso “L” de classificados.

A Amílcar são atribuidas três frase geniais: “Jornal é preto no branco”, “Fio não se lê” e “Da esquerda para a direita e de cima para baixo”. Elas sintetizam a proposta da reforma gráfica do Jornal do Brasil, valorizar a informação gráfica tanto quanto a informação textual.

Tudo isso está no livro “Dois estudos de comunicação visual” de Washington Dias Lessa. O livro é de 1995 e, ao que parece, difícil de ser encontrado. No google nem uma foto da capa eu encontrei. Mas fica a dica, é uma bela obra, fundamental na história do jornalismo e do design no Brasil.

A paginação na revista Manchete

13/03/2009 por Gelson Pereira

manchete
No post anterior trouxe um relato de J. A. Barros, no livro “Aconteceu na Manchete: as histórias que ninguém contou”, onde ele conta um pouco do processo de paginação na lendária revista O Cruzeiro. J. A. Barros também trabalhou na Manchete, outra revista lendária da história do jornalismo brasileiro. Quando saiu de O Cruzeiro a revista já estava em processo de fechamento e, indo trabalhar na Manchete ele se deparou com uma tecnologia avançada para a época, a composição eletrônica.

Enquanto sigo firme na preparação do primeiro capítulo da monografia, onde vou fazer uma recuperação histórica da trajetória de jornais e revistas no que toca a sua concepção gráfico-editorial, compartilho com os leitores o trecho onde J. A. Barros descreve o processo de paginação na Manchete.

A dinâmica de trabalho da Bloch Editores era inteiramente diferente da de O Cruzeiro. A composição manual tinha sido abolida na empresa e o sistema havia evoluído para composição eletrônica.

Cada redação tinha o seu chefe de arte e um auxiliar de paginação, às vezes, mais um auxiliar, como era o caso da Manchete. Wilson Passos era o chefe e seus dois assistentes, Nelson Gonçalves e Pedro Alves Guimarães, o Pedrão, tinham trabalhado comigo em O Cruzeiro.

O processo era muito simples. Wilson recebia do editor miniaturas de layouts rascunhados, como deveriam ser as páginas na distribuição de fotos e textos. Com essa orientação, Wilson traduzia para páginas do tamanho da revista a idéia esboçada, usando lápis e régua. Quando a matéria era em cores, os assistentes projetavam as fotos desenhando nos espaços criados nos layouts, na sala de projeção. Noventa por cento das reportagens na Manchete eram em cores.

Além de simples, o trabalho era acima de tudo rápido e limpo. A tesoura e a cola deixaram de existir. A dificuldade maior, na paginação eram os textos. Cada chefe de arte criava o seu próprio método para calcular o aproveitamento dos textos nas paginações. Na verdade uma regra de três. Com ela se efetuava o cálculo de linhas em composição, que deveriam ocupar os espaços desenhados na paginação (BARROS, 2008, p. 303).

A dificuldade de escrever e o processo de paginação de O Cruzeiro

06/03/2009 por Gelson Pereira

O primeiro grande momento de felicidade quando se está fazendo uma monografia é quando nós “enxergamos” ela. Quando já temos tema e objetivos bem definidos partimos para estruturação da monografia. Criar capítulos e subcapítulos é o momento em que podemos visualizá-la de um modo mais direto, nos tira aquela sensação de estar perdido num emaranhado de textos.

Mas se ganhamos a tranqüilidade de estar com o controle do nosso trabalho, vemos como é difícil fazer o que parecia simples, escrever. O orientador deu o prazo, 15 dias para entregar o primeiro capítulo, dos quais 8 foram implorados, pois seriam apenas 7. Não há um espírito que incorpora e nós saímos digitando da primeira a última frase do capítulo. É uma costura de frases soltas, com citações e um pouco do que já constava no projeto de monografia. E depois várias leituras e dezenas de mudanças em cada uma. Essa foi a grande lição que aprendi nos últimos dias.

o-cruzeiro

Por fim, compartilho com os leitores um trecho do livro “Aconteceu na Manchete: as histórias que ninguém contou”, onde J. A. Barros, que trabalhou como paginador na revista O Cruzeiro, conta como era o trabalho na lendária redação da revista. Soa estranho ouvir tesoura e cola para quem é da geração InDesign.

O processo de paginar, em O Cruzeiro, consistia no seguinte: Milton d’Ávila, com as fotos preto-e-branco da reportagem já escolhidas e ampliadas, espalhava-as em cima de uma mesa, onde eram selecionadas. A mais bonita, ou aquela que sintetizasse melhor o espírito da reportagem era a escolhida para abrir a matéria. Os layouts, dependendo do número de páginas, oito, dez, ou doze, eram riscados com lápis pastel em traços fortes pelo paginador, obedecendo a um roteiro fotográfico que procurava visualmente dizer o que era a reportagem.

As páginas esboçadas eram distribuídas aos auxiliares de paginação. Esses, com régua e lápis, copiavam o seu desenho milimetricamente em outros layouts, marcando a proporção das ampliações ou reduções dos tamanhos das fotos que seguiam para o laboratório fotográfico. Procedia-se, então a montagem e a colagem daquelas fotos nas páginas desenhadas. Esse trabalho consumia algumas horas e, pela quantidade de reportagens, não raro esse processo se estendia até o dia seguinte. As ferramentas usadas eram tesoura e cola.

Com isso, tinha-se uma visão de como ficaria a reportagem antes de ser impressa, o que permitia, muitas vezes, modificações e trocas de determinadas fotos que expressassem melhor o sentido da matéria. Mais tarde, o sistema se aprimorou, ao abolir colagem de fotos e passando a usar o método de projeção de slides, processo já usado pela revista Manchete. Com isso, ganhava-se velocidade e ao mesmo tempo diminuía-se o número de auxiliares de paginação (p. 301).

Correio recebe prêmio por redesenho

20/02/2009 por Gelson Pereira

O jornal Correio da Bahia recebeu uma medalha de prata por seu redesenho do projeto gráfico pela 30ª edição promovida pela Society for News Design, tradicional evento que premia os melhores designs de jornais mundiais. O Correio, inclusive, foi o único jornal brasileiro a ser premiado, tendo ficado à frente de publicações internacionais de renome, como a Chicago Tribune, dos Estados Unidos, e o Clarín, da Argentina.
O novo projeto gráfico do Correio foi concebido pelo designer espanhol Guillermo Nagore e pelo jornalista brasileiro Eduardo Tessler, da  Innovation Media Consulting, cujo lançamento ocorreu em agosto de 2007.
Fonte: Ggol